Mudanças!

domingo, 18 de julho de 2010

[ parte2 ]



O telefone tocou novamente...
não atendi.

  Agora, quem cansou fui EU. Cansei de suas mentiras sórdidas. Cansei de brincar de teatro. Cansei de mendigar as migalhas do seu amor. Cansei de correr a sua procura e ficar só, no meio da estrada. Cansei de ver você se divertindo, enquanto fico aqui, no meu casulo, sofrendo! CANSEI! Não vou ficar a minha vida inteira te esperando, me agarrando à esperança de um 'talvez' para sobreviver. Não vou mais inventar você para mim. Meu coração está cheio de remendos, de feridas... mas elas cicatrizarão! Vai doer, mas vai ser bem melhor assim!

  Agora se contente com a caixa postal, que eu não mais lerei, e nem ouvirei com compulsão, na esperança de uma mensagem sua. Ou se contente com o 'tu-tu-tu-tu' do telefone.
 
Vou retomar meu vôo por detrás dos destroços.
Chegou a MINHA vez de ser feliz!  

Entre aspas...

sexta-feira, 16 de julho de 2010





" Não sabiam viver um instante sequer um sem o outro, ou sem pensar um no outro, e o sabiam cada vez menos à medida que recrudescia a velhice. Nem ele nem ela podiam dizer se essa servidão recíproca se fundava no amor ou na comodidade, mas nunca se haviam feito a pergunta com a mão no peito, porque ambos tinham sempre preferido ignorar a resposta”

Gabriel Garcia Marquez , em Amor nos tempos de Cólera .

Amar não mata!


  

  Depois daquela noite, do jantar sob a luz da lua, nunca mais se encontraram.
  Entretanto, mesmo após o fim do jogo, as cartas ainda se encontravam sobre a mesa. A taça ainda estava meio cheia. Durante todos esses anos, somente uma reticências se colocara após o último ato. Verdadeiramente, nenhum dos dois quis pôr um ponto final. 
  Um sentimento ainda insiste em pulsar dentro do peito daqueles, que hoje, são quase pessoas da meia idade. Mesmo após tanto anos, ainda se amam com o mesmo amor de sua juventude. Ainda choram ao deitar na cama e sentir a solidão assolar o peito, ao lembrar de toda aquela felicidade que um dia fez morada entre eles. Ainda anseiam por ouvir um do outro, uma simples frase, que excluirá de vez essa reticências, que dará continuidade à linda história. Mas algo os impede.
  Eles ainda teimam em permitir que o medo os roube a voz, os impedindo de proferir o que realmente sentem. Ainda insistem em fazer vãs tentativas de esquecer um ao outro. Tentam seguir em frente, mesmo tal façanha sendo impossível, visto que seus corações se encontram incompletos. E mesmo sabendo qual a única forma de mudar isso, continuam a querer estar cegos.
  E infelizmente ficarão dessa mesma forma até que percebam que não há amor impossível, há somente pessoas incapazes de lançar o medo fora, e ir atrás de sua felicidade, onde quer que ela esteja. Pessoas incapazes de deixar a voz do coração falar mais alto, e amar intensamente, pois de amor é que não se morre.


"Quando sentir a alma esvoaçar pelo corpo em busca de uma saída, 
quando o coração cavalgar em sua garganta afogando-o de alegria, 
quando a certeza de estar vivo e de ser especial o invadir, 
é que você encontrou o amor." 
Ángela Becerra.



Não posso evitar.

quinta-feira, 8 de julho de 2010



  Hoje passei em frente aquela praça que costumávamos frequentar, e que foi palco da nossa felicidade. Lembrei dos momentos que juntos passamos, dos carinhos que trocamos. Olhei pro banco, aquele onde sempre sentávamos, mas hoje, em nosso lugar, estava outro casal. Como estavam felizes... Como, também, fomos felizes!
  Mas tudo isso foi antes ...
  Antes de um terremoto assolar nosso amor. Antes dele vir, com toda a sua fúria, e resumir nosso sentimento à restos de uma construção, reduzir à pó. Antes da de-vas-ta-ção!
  Ainda estou aqui, em meio aos escombros, tentando achar alguma forma de salvar esse sentimento. Minha força vem de dentro desse meu coração, que insiste em pulsar por você, e me dizer que ainda há esperança. Encontra-se, recolhido entre minhas mãos, o pó que estava no chão, mas 
                                           
                              ele        es
                                               tá    in
                                                  do
                                                   e
                                                  m
                                                  b
                                                  o
                                                  r
                                                 a.

                     

  Desculpe, mas NÃO POSSO evitar que o vento o leve, não tenho a mínima condição de reter o que restou desse sentimento sozinha.

Músicas que adoro!

quarta-feira, 7 de julho de 2010


  

  Entre tantas músicas que amo do Cazuza, estão “Codinome Beija-Flor” e “O Mundo é um Moinho”.

- O Mundo é um Moinho.


Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção querida
Embora saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó.

Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés


- Codinome Beija-Flor



Pra que mentir
Fingir que perdoou
Tentar ficar amigos sem rancor
A emoção acabou
Que coincidência é o amor
A nossa música nunca mais tocou

Pra que usar de tanta educação
Pra destilar terceiras intenções
Desperdiçando o meu mel
Devagarinho, flor em flor
Entre
os meus inimigos, beija-flor

Eu protegi teu nome por amor
Em um codinome, Beija-flor
Não responda nunca, meu amor (nunca)
Pra qualquer um na rua, Beija-flor

Que só eu que podia
Dentro da tua orelha fria
Dizer segredos de liquidificador

Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor
Prendia o choro e aguava o bom do amor.

20 anos sem ele!




  Nos anos 80, um garoto de Ipanema revolucionou a música brasileira, à frente de uma banda de rock, que trouxe para a sociedade os desejos e impulsos de jovens que ansiavam por novidades. A grande novidade era Agenor de Miranda Araújo Neto, mais conhecido como CAZUZA, que significa, no dicionário, “vespídeo solitário, de ferroada dolorosa”, e no sentido nordestino, “moleque” !
  Ele cresceu entre os grandes nomes da MPB, e veio a reinventar o rock, com gírias e seu estilo bem autêntico. Além de ser um cantor que despertava várias polêmicas, devido à sua rebeldia e sua assumida bissexualidade, Cazuza também foi o poeta de sua geração, com letras que falavam de dores, paixões, tristezas, entre outros. Ele nunca ficou calado, sempre lutou por defender o que acreditava, por gritar para todos a parte suja da sociedade, que muitos desejavam esconder.
  Infelizmente, no dia 7 de julho de 1990, Cazuza veio a falecer, devido a um choque séptico causado pela AIDS, deixando vários fãs órfãos!
  Cazuza ainda se faz presente com a Sociedade Viva Cazuza, uma ONG que tem como intenção proporcionar uma vida melhor à crianças soropositivas através de assistência à saúde, educação e lazer.
  Ele vivia a dizer que “nunca quis pouco”, e nunca o teve! Apesar de ter nos deixado há 20 anos atrás, sua músicas continuam a influenciar e a tocar o coração de diversos jovens, ela é como uma herança, que passa e continuará a passar, por diversas gerações. 
 
   Agenor de Miranda Araújo Neto se eternizou!




 

Entre aspas...

domingo, 4 de julho de 2010




 
   Você pode ir embora e nunca mais ser a mesma. Você pode voltar e na-da ser como antes. Você pode até ficar, pra que nada mude, mas aí é você que não vai se conformar com isso. Você pode sofrer por perder alguém. Você pode até lembrar com carinho ou orgulho de algum momento importante na sua vida: formatura, casamento, aprovação no vestibular ou a festa mais linda que já tenha ido, mas o que vai te fazer falta mesmo, o que vai doer bem fundo, é a saudade dos momentos simples: da sua mãe te chamando pra acordar, do seu pai te levando pela mão, dos desenhos animados com seu irmão, do caminho pra casa com os amigos e a diversão natural, do cheiro que você sentia naquele abraço, da hora certinha em que ele sempre aparecia pra te ver, e como ele te olhava com aquela cara de coitado pra te derreter.  De qualquer forma, não esqueça das seguintes verdades:
                     
                     Não faça nada que não te deixe em PAZ consigo mesma;
          Cuidado com o que anda desabafando;
                     Conte até três (tá certo, se precisar, conte mais);
          Antes só do que muito acompanhado;
                     Esperar não significa inércia, muito menos desinteresse;
          Renunciar não quer dizer que não ame;
                     Abrir mão não quer dizer que não queira;

       O tempo ensina, mas não cura.


Martha Medeiros.

Hora da limpeza!





 È hora de limpar o guarda-roupa ...

Jogarei fora algumas roupas que já não cabem mais em mim.
As ilusões, meios amores, meias verdades, falsas amizades,
Meios termos... Meia vida!

Voltarei a usar roupas que sempre me caíram bem.
O amor revigorante, amizades meio esquecidas,
Necessidades do meu espírito, verdades bem ditas!

Manterei as roupas agradáveis, e que me aquecem em meio á tempestade.
Os sentimentos sinceros, as verdadeiras amizades,
O amor inacabável, e a constante felicidade!

É sempre tempo de se libertar do que não faz bem, de abrir mão do que já não vale mais a pena. É sempre tempo de deixar o rio da vida levar o que já não se faz mais necessário!

Mas preste atenção, NUNCA abra mão do que você realmente ama, do que lhe faz bem. Verdadeiros amigos, verdadeiros amores são dádivas, e merecem ser cuidados, para que não quebrem, e fiquem como jarros de vidro, aos cacos, soltos pelo chão.

E não esqueça, de limpar sempre o seu guarda-roupa, há coisas que não valem a pena guardar, e outras que temos sempre de tirar do armário para lavar, para cuidar, e assim fazer com que durem por mais tempo...

Isso EU aprendi!

Memórias de um sertanejo.

sexta-feira, 25 de junho de 2010





Hoje me alembro da minha vida dura,
Mas alegre, vida no meu sertão.

Mal amanhecia o dia, já tarva de pé.
Vistia minha carça surrada,
Minha blusa disgastada
E meu chinelo véi.

Tomava meu cafezim,
comia um seco pãozim,
Dava um chero na muié,
Saía com meus fio pro roçado.
Pronto pra mais um dia de suó.

Oiava pro céu, e num via uma nuvenzinha.
Num havia de cair do céu, ninhuma gotinha.
Oiava pra terra tão pobre,
e os meus zóio dàgua inchia,
E olhando pro céu, uma prece farzia.
” Deus do céu , mande uma chuvinha,
Nem que seje só uma gotinha.”

Di vez im quando, ele me uvia,
Caia umas gotinhas,
E di alegria, meu coração se inchia.
Prantava uma semente,
Mas num nascia no chão, ninhuma prantinha.

As criança, coitada,
Num tinha comida no fogão,
E chorava pro móde ter um caroço de feijao.
Fazia o que pudia,
Mas a terra pobre e crua,
e a vegetação quase nua,
de fazer muita coisa num pudia.

Minhas mão, tudo calejada de tanto capinar,
Meus pés, firido de tanto caminhar,
O sol do sertão não costumava perdoar ...
Com tudo isso, só pudia lamentar.

Aqui ou acolá,
Nascia alguma coisa que dava pra nois se alimentá,
Mas num durava muito,
Logo tudu era perdido.
Com o gado envelhecido,
E as criança a chorá.



Meu fio mais veio,
Cansado de tanto bataiar,
Resorve ir pra capitá,
Na esperança de um dia estudar,
E quem sabe dotor se tornar.

Um dia me mandou um escrito,
Como num sabia ler, fiquei aflito.
Incarecido a ajuda de alguém letrado pidia.
A professora das criança, que a pouco tempo chegara,
Leu o que meu fio falava.

Com muita alegria, ele falava de uma muié,
Que compadecida da vida sofrida que nóis levava,
Resolveu escrever um livro.
Ele falava de uma tár Raquér,
Raquer de Queroiz que ele falava,
Que havia nascido no Ceará.
E no Rio de Janeiro foi morá,
Pro móde da seca se afastá

A muié estudou,
E escritora se tornô.
Uma arruma de prêmio ganhô,
E importante ficô.
Tanto fez, que hoje tem, no Quixadá,
Com seu nome, um prédio culturar.

No meio de tanto livro que escreveu
Um fato na história apareceu.
Uma coisa que não foi pra celebrar.
Falava da seca de quinze, uma seca de arrazar.

Falava:
Do povo sofrido,
Do gado que tinha murrido,
E da tristeza que se espaiou.
Falava também de um tár sertanejo,
Que trazia a esperança no peito,
E que do sertão não desistiu,
Até que a chuva descer e lavar a terra, viu.

Agradeço a essa muié,
Que com o sufrimento do povo,
Levou educação pra esse mundo todo,
Num tenho mais nada a dizer,
“ obrigada dona Raquér”,
Eu só tenho agradecer.
Obrigado meu Deus por essa muié.

Entre aspas...

quarta-feira, 23 de junho de 2010


“ Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo, nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você, e voltei, e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim.”
Caio F. Abreu